sábado, 13 de fevereiro de 2016

A saúde no brasil

Uma história de cem anos com nítidas descontinuidades apresenta
naturalmente uma série de dificuldades em seu processo de
reconstituição. Qualquer tentativa de sistematização não fará justiça à diversidade
de eventos e atores sociais. A proposta deste capítulo não poderia
deixar de ser modesta - apresentar uma visão panorâmica, necessariamente
incompleta, e sugerir esforço permanente de preservação da memória
e de análise do processo histórico, cuja riqueza e relevância são
aqui apenas brevemente anunciados. ginecologista

Mas qual o papel da OPAS nos diferentes períodos que se poderiam urologista
delimitar para a reconstituição de sua história? Nos documentos oficiais e nos
balanços que marcam o ano do centenário, o papel de coibir as doenças dermatologista
transmissíveis, notadamente a febre amarela e a peste bubônica, de grande como ter bundão
circulação entre os portos, destaca-se como ação preponderante em suas
origens. Progressivamente, verificar-se-ia uma ampliação das ações e do próprio
conceito de saúde que as fundamenta. Talvez o fator mais relevante a neurologista
2 O tema merece análise mais cuidadosa, impossível de ser realizada nos limites deste trabalho. Os que o exercicio para tornear as pernas
discutem tendem a diferenciar a corrente hispano-americana, que tem em Simon Bolívar o principal expoente, e a tese do pan-americanismo, na versão norte-americana, especialmente o que tem origem na chamada doutrina Monroe. Ver, a respeito, Veronelli & Testa (2002).
3 Este trabalho seria impossível sem a pesquisa e sistematização de fontes realizadas por Cristiane Batista.
Agradeço às contribuições de Aline Junqueira, Cristina Fonseca e Lisabel Klein e aos profissionais da Representação
da OPAS no Brasil, em particular ao Dr. Jacobo Finkelman.
acompanhar a história da organização, não obstante o peso diferenciado quanto
à formulação e à aplicação de políticas específicas, esteja na formação de uma
base comum para o desenvolvimento da agenda de problemas e da adoção de
políticas de saúde, particularmente nos países da América Latina e Caribe.

Com base nessa compreensão, este capítulo tem por objetivo apresentar
em grandes linhas as características e diferenciações da história da
OPAS durante estes cem anos, em sua relação com idéias, propostas de reforma
sanitária, ações e políticas de saúde adotadas pelo Brasil. Nem sempre as
relações são diretas, mas, como procurei demonstrar, o estudo da história
da saúde no Brasil pode ser enriquecido ao se considerar a dimensão das
relações interamericanas. As principais fontes utilizadas em sua elaboração
foram os Boletins da Oficina Sanitária Pan-Americana, outros documentos
oficiais e depoimentos de importantes lideranças no desenvolvimento das
atividades da organização.

Para tornar mais claro o texto, optei por dividi-lo em seções. Na
primeira, comentam-se as atividades até 1947, quando ocorreu importante
mudança nos rumos da organização devido ao programa de descentralização,
e sua transformação em organismo regional da Organização Mundial da
Saúde (OMS), criada em 1946.
Na segunda seção, discutem-se os principais aspectos da gestão
de Fred Soper, que dirigiu a OPAS de 1947 a 1958. Durante esse período,
com o fortalecimento da organização, estabeleceu-se cooperação mais
efetiva com o governo brasileiro, evidenciada, entre outras medidas, pela
criação do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) , pelo apoio
ao laboratório de produção da vacina de febre amarela, na Fundação
Oswaldo Cruz, e pela criação da Zona V de representação regional, com
sede no Rio de Janeiro.

Na terceira seção, apresentam-se os grandes temas que envolveram
as relações do Brasil com a OPAS no período que se estende de 1958 a 1982,
marcado pela relação entre desenvolvimento e saúde e pelas propostas de

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